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Fintechs brasileiras podem transformar o cenário social

As fintechs têm criado uma nova realidade financeira global. Nos últimos dois anos, inúmeras fintechs surgiram no mercado brasileiro concentrando-se na Região Sudeste do País. Com elas surgiu uma enorme diversidade de serviços que eram tradicionalmente oferecidos por bancos convencionais.

A aprovação da Lei das Fintechs nº 12.865/13, promulgada em 2013, facilitou a abertura de novas empresas de finanças tecnológicas (fintechs) mais flexíveis que bancos convencionais. Vários fatores facilitaram o ingresso e o desenvolvimento das fintechs, tais como: a oferta de serviços específicos para determinados nichos, a conveniência gerada por serviços bancários online como pagamentos, crédito, transferências com maior velocidade operacional e menor custo por operação.

A Inovação tecnológica, a flexibilização das leis regulatórias, a colaboração e as parcerias formadas entre fintechs ajudaram a reduzir barreiras frequentemente enfrentadas no surgimento e desenvolvimento de instituições financeiras, tais como: restrições legais, demanda de altos investimentos, escassez de profissionais com ampla formação em tecnologia, e conflitos de interesse com grandes players do mercado financeiro.

Mesmo com um cenário econômico incerto, as fintechs vieram para ficar e prometem inovação financeira. Hoje, atuam com pessoas jurídicas e físicas, além de se especializarem em nichos de público. A maioria oferece serviços de pagamento, contas digitais, empréstimos e gestão financeira. As fintechs estão mudando o mercado financeiro.

A ElasBank é uma das fintechs que surgiu com a cultura da Economia Digital que tem como proposta atuar em prol da inclusão e da capacitação financeira de gênero. A diversidade é um valor fundamental para esta fintech que deseja dialogar com diferentes grupos sociais compostos por mulheres.

A ElasBank quer acelerar o desenvolvimento social das mulheres e, para isso, acompanha as mudanças que elas experimentam no seu ciclo de vida e se adequa à pluralidade do cotidiano delas. Para isso, busca atender às necessidades específicas do público feminino, oferecendo serviços feitos para elas, focando na bancarização e na formação das mulheres para o exercício da autonomia financeira. Com a proposta inovadora de bancarizar o público feminino, pretende gerar impacto econômico positivo com o aquecimento dos negócios online feitos por mulheres. 

Com o intuito de bancarizar uma fatia da população brasileira que se via excluída do acesso ao sistema bancário e financeiro, a ElasBank tem se organizado para oferecer serviços de baixo custo, redução das taxas de serviços, contas sem custos, bonificação pelo uso da conta e do cartão de crédito, Cashback, além de processos desburocratizados – mais rápidos e interativos, para a emissão de cartões, sem análise de crédito e acesso ao investimento automatizado, que cria muito mais facilidade para quem não tem hábito de investir e muito mais possibilidades para quem já é investidor habitual.

O crescimento da bancarização tem sido uma das mudanças provocadas pelo aumento de fintechs nos últimos anos. Puxada especialmente pela entrada das mulheres no sistema financeiro, a bancarização está se mostrando uma tendência já confirmada nos dados do Relatório do Instituto Locomotiva (2021): no comparativo entre Janeiro de 2020 e Janeiro de 2021, a parcela de bancarizados aumentou de  21% para 29% do total dos brasileiros (34 milhões de habitantes) considerados os que não possuem conta bancária ou não realizaram movimentação bancária por mais de 1 mês.

Acredita-se que, as fintechs de crédito e de pagamento, que surgiram em 2020 impulsionadas pelo lockdown, devido à Pandemia por Covid19, tiveram um papel expressivo na  redução do número de desbancarizados (8% dos habitantes brasileiros). Com a oferta de ajuda de custo pelo Governo Federal, muitas contas bancárias foram abertas com o propósito de receber o dinheiro pago pelo Governo Federal, através de fintechs habilitadas.

Entretanto, surge a questão se esta tendência irá se manter nos próximos anos com a retração econômica do mercado vivida na crise da Pandemia. Fica para as fintechs a dura tarefa de se consolidarem como empresas necessárias criando demandas para a manutenção e o uso das contas que foram abertas nos últimos dois anos.

As fintechs têm o papel importante de gerar inclusão social trazendo inovação na oferta de serviços, promoção de equidade de gênero, contratando grupos minoritários, formando parcerias estratégicas de negócios entre fintechs e empresas que atuam no impacto socioambiental positivo, com adoção dos princípios ESG (Environment, Society, Governance).

Há muito trabalho a se fazer, pois somente quando mais de 95% da população brasileira estiver inserida e utilizando de forma efetiva e eficiente o sistema financeiro, atingiremos o mesmo patamar dos países desenvolvidos, quanto à bancarização e à capacitação financeira que hoje dependem de maciço investimento em educação e tecnologia digital.

Segundo dados do Banco Mundial, a inclusão das mulheres nas finanças, até 2030, representaria um crescimento de 400 bilhões de reais no PIB nacional. Atualmente, o Brasil tem 34 milhões de pessoas desbancarizadas e há uma enorme desigualdade social gerada pelos mecanismos sociais de exclusão do gênero feminino nas finanças.

Soma-se a este fato, as diferenças regionais que geram dificuldades específicas por região, as quais aumentam ainda mais a exclusão financeira. Os municípios do Norte e do Nordeste brasileiro, por exemplo, apresentam maior número de mulheres sem conta, devido à dificuldade de acesso a agências bancárias e à baixa taxa de alfabetização financeira digital.

Nessas regiões, as mulheres são maioria das donas de domicílio vivendo em sistemas unifamiliares e têm dificuldades para deixar seus filhos sozinhos e se deslocarem por distâncias, muitas vezes superiores a 10 km, para sacar os recursos do auxílio emergencial – um fator importante para a inclusão financeira, em época de pandemia. Em muitos municípios brasileiros não há agências ou caixas bancários e a taxa de digitalização é baixa, levando a um ciclo perverso de perpetuação da pobreza.

Enquanto algumas localidades se empobrecem, as grandes cidades enriquecem. A última pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban, 2020) apontou um crescimento de investimentos dos bancos em tecnologia por 48% em 2019, chegando a um orçamento total de R$ 24,6 bilhões ao ano.

Enxergamos uma forte tendência no uso dos meios digitais em relação aos serviços bancários: em abril de 2020, 74% das transações bancárias foram realizadas por meio de canais digitais conforme o relatório Febraban sobre “Tecnologia Bancária, 2020”. Além do fato que as transações bancárias cresceram 11% em 2019, observamos que as operações realizadas pelo Mobile Banking (via celular) tiveram um aumento ainda maior: 19%.

Mas, existe também um outro lado dessa tendência: em regiões com maior inclusão digital, há cada vez mais participação da população nas atividades financeiras, em detrimento das regiões menos urbanizadas, com menor inclusão digital.

Considerando a diversidade do País, os bancos digitais nascem com a dura tarefa de evitar a intensificação das diferenças regionais na alfabetização financeira digital e o crítico acirramento no déficit de acesso ao sistema bancário pelos mais pobres da Região Norte e Nordeste do Brasil.

Se por um lado, o domínio das tecnologias da informação e comunicação torna-se cada vez mais necessário à sobrevivência no mundo atual, por outro é o maior obstáculo que enfrentaremos nos próximos anos, para o combate da desigualdade e da pobreza. A digitalização das mulheres é, portanto, uma condição para alcançar igualdade de gênero.

Dra. Vanise Goulart Zimmer